Notícias do Dia - 16 maio 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Notícias do Dia - 16 maio 2011
Sumário

MEC quer política de educação mais articulada entre Estados e municípios
'Livro em papel sempre terá um mercado'
Instituto lança teleaula gratuita para o Enem
Flip estimula leitura diária entre crianças
USP abre período de transferência
USP vai investir R$ 70 mi em pesquisa
Governo estadual paulista programa série de aumentos para mestres da rede pública, primeiro passo para atrair e manter os melhores na escola
Queda do analfabetismo adulto é residual
Problema é concentrado no meio rural, diz ministro
3% dos analfabetos fora da idade escolar frequentaram uma sala de aula em 2008
Estratégia para melhorar a educação 1


Fonte: Valor Econômico
Caderno: Brasil / pg. A2

MEC quer política de educação mais articulada entre Estados e municípios

Luciano Máximo | De São Paulo
16/05/2011

O governo federal promete intensificar esforços para desenvolver um sistema nacional articulado de educação no Brasil. Para tratar do tema, o Ministério da Educação (MEC) vai criar a Secretaria de Articulação de Sistemas de Ensino (Sase) com planos de ampliar programas e investimentos destinados a prefeituras e governos estaduais. O objetivo é reduzir desigualdades e reordenar a relação federativa na área educacional entre União, Estados e municípios em assuntos como financiamento, gestão, normas, formação de professores e integração curricular.

A Sase, que aguarda sanção de decreto presidencial para passar a figurar no organograma do MEC, será liderada pelo filósofo Carlos Augusto Abicalil, ex-deputado federal pelo PT de Mato Grosso que se destacou por sua atuação parlamentar em matérias relacionadas à educação e foi derrotado nas eleições do ano passado para o Senado. Ele explica que a existência de um sistema nacional articulado de educação é uma demanda histórica para corrigir distorções regionais, principalmente na distribuição de recursos públicos ao setor.

Um exemplo é a diferença do valor de referência do gasto anual por aluno do Fundo Nacional de Manutenção da Educação Básica e Valorização do Magistério (Fundeb) de 2010 para o Estado de São Paulo, de R$ 2.318,75, ante a média de R$ 1.415,97 dos Estados mais pobres do país, já contabilizada a complementação da União. No contexto de um sistema nacional articulado, diz Abicalil, o governo federal gastará mais com educação para apoiar Estados e municípios. "[O aumento do financiamento] será de uma forma calibrada. Não posso falar que a intensidade da participação da União seja igualmente validada para municípios que têm royalties de petróleo, por exemplo, e para seus vizinhos [mais pobres] no mesmo Estado."

O novo secretário também diz que a Sase não cuidará da operação de programas do MEC. A tarefa será concentrada no reordenamento de obrigações e ações conjuntas dos poderes federal, estaduais e municipais, que precisarão ser costuradas em "novas institucionalidades jurídicas" indicadas na segunda edição do Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020), projeto de lei que aguarda aprovação de comissão especial do Congresso.

No atual modelo federalista de organização do Estado brasileiro, a educação pública tem competências concorrentes entre os entes federados, apesar de seu desenho constitucional prever um regime de colaboração. "Ainda prevalece uma visão patrimonialista na gestão do ensino. Como municípios e Estados têm autonomia, cada um administra sua rede, com pouco diálogo", avalia Abicalil.

A relação institucional das três esferas de governo no formato cooperativo do Sistema Único de Saúde (SUS), nos mecanismos de tratamento de resíduos sólidos e na organização das bacias hidrográficas pode servir de inspiração para promover o sistema nacional articulado de educação. "Vamos verificar a capacidade da educação para isso e exercitar algumas dessas formas de arranjo de ação integrada dos poderes públicos que já estão sendo praticadas em outras áreas, independentemente de quem administra o patrimônio", prevê o secretário do MEC.

A atual organização federativa na educação gera inúmeras reclamações e litígios entre prefeituras, Estados e União. As maiores divergências estão nos gastos com transporte, merenda e atribuições por determinado ciclo de ensino. Para Cleuza Repulho, secretária municipal de Educação de São Bernardo do Campo e presidente da União Nacional de Secretários Municipais de Educação (Undime), um sistema nacional deve apontar a responsabilidade de cada ente da federação por seus alunos.

"Cada vez que o município coloca recursos numa rede que não é a sua, ele deixa de investir em áreas essenciais. Quando transporto alunos do Estado e pago por isso, eu deixo de construir uma creche. Isso é realidade em vários municípios do país", afirma Cleuza. No início de sua gestão, a secretária contou que o gasto de São Bernardo, na Grande São Paulo, com transporte de alunos da rede estadual chegava a R$ 25 milhões por ano. Recentemente a prefeitura fez um acordo com o governo estadual, que assumiu, gradualmente, a tarefa de levar e trazer seus próprios estudantes.

Uma das funções da nova Secretaria de Articulações de Sistemas de Ensino do MEC é corrigir esse tipo de atrito e estimular, também no plano pedagógico, a articulação entre as redes públicas. A experiência do Mato Grosso e do Acre, onde os sistemas educacionais municipais e estaduais estão sintonizados, poderá ser referência. No caso acreano, currículo, transporte, calendário de aulas, merenda são políticas decididas em conjunto entre as esferas municipais e estadual. "Também é importante o aluno não sofrer um choque ao passar da escola municipal, por volta dos 11, 12 anos, para a rede estadual", completa Cleuza.

A Sase também vai trabalhar para ajudar Estados e municípios a organizar planos de educação, uma exigência do próximo PNE.


Fonte: Valor Econômico

'Livro em papel sempre terá um mercado'

Jeffrey A. Trachtenberg | The Wall Street Journal
16/05/2011
Poucos executivos do meio editorial têm uma visão mais privilegiada da rapidez com que a tecnologia digital vem transformando o setor do que John Makinson, o diretor-presidente da Penguin Group, a divisão de livros da Pearson PLC.

A editora publica mais de 4.000 títulos de ficção e não ficção no mundo. Decidir como e onde vender todos esses livros está muito mais complicado do que quando Makinson assumiu a presidência, em 2002. Na época, o negócio de livros digitais era pequeno e o impacto de descontos na internet não se fizera sentir em sua totalidade.
           
Entre as decisões cruciais de Makinson está a adoção do "modelo de agência": nele, a editora estipula o preço de venda do livro digital e dá ao varejo 30% da receita. Hoje, o modelo está sendo examinado de perto por órgãos de defesa da concorrência nos EUA e na Europa.

A Penguin também é uma das três grandes editoras por trás do Bookish.com, site anunciado na sexta-feira que se concentrará em novos títulos e autores e venderá diretamente ao consumidor.

Diretor financeiro da Pearson de 1996 a 2002, Makinson, de 56 anos, também editou por um tempo a coluna Lex no "Financial Times". Recentemente, falou ao Wall Street Journal sobre e-books baratos, leitura digital e livrarias independentes.

Trechos:

WSJ: O livro impresso, em papel, vai deixar de ser publicado um dia?

John Makinson: Não, não creio. Há uma diferença cada vez maior entre o leitor de livros e o proprietário de livros. O leitor de livros quer apenas a experiência de ler o livro e é um consumidor digital natural: em vez de comprar um livro barato descartável, compra um livro digital. Já o proprietário do livro quer presentear, compartilhar e guardar livros. Adora a experiência. À medida que formos melhorando o produto físico, em especial a brochura e a capa dura, o consumidor vai pagar um pouco mais por essa experiência melhor. Outro dia, fui conferir a venda de clássicos em domínio público em 2009, quando todos esses livros estavam disponíveis de forma gratuita. O que descobri foi que nossas vendas tinham subido 30% naquele ano. O motivo é que estávamos começando a vender edições de capa dura - mais caras - pelas quais o público se dispunha a pagar. Sempre haverá um mercado para o livro em papel, assim como creio que sempre haverá livrarias.

WSJ: A seu ver, qual será a participação de mercado do livro digital nos EUA em 2015?

Makinson: Bem mais de 30%. O ritmo de crescimento no Reino Unido e em outros mercados é um pouco mais lento do que se esperaria se olharmos para a experiência americana. É que a penetração de aparelhos de leitura se dá muito mais lentamente.

WSJ: A lista de best-sellers do Kindle, da Amazon, é dominada por títulos baratos, bancados pelo próprio autor. Muitos custam US$ 2,99 ou menos. Para editoras tradicionais, essas obras independentes são uma ameaça?

Makinson: Esse é um mercado novo que, economicamente falando, é inviável no formato em papel. Não há como imprimir, distribuir e fazer estoque de um livro a esse preço. Mas, como editoras, provavelmente teremos de participar. (...) Além disso, vamos olhar para o catálogo. Talvez haja público para um western de US$ 1,99. É preciso muito cuidado, no entanto, para garantir que esse novo mercado não comprometa as vendas de Clive Cussler, Tom Clancy, Patricia Cornwell e Ken Follett.

WSJ: Qual o maior desafio para as livrarias num momento em que há milhões de títulos em papel à venda na internet e no qual a receita com livros digitais está dobrando?

Makinson: O varejo [tradicional] de livros tem futuro. O problema, em grande parte, não é só que há livrarias demais, mas que são muito grandes. Como diversificar a oferta ao consumidor para fazer um uso produtivo do espaço sem perder a experiência de se estar em uma livraria?

WSJ: Livrarias independentes sempre tiveram um papel fundamental no lançamento de obras literárias. Com o crescimento do livro digital e da venda on-line, quantas dessas lojas independentes vão sobreviver, considerando que estão sujeitas às mesmas forças que afetaram redes de livrarias maiores?

Makinson: Tenho uma livraria independente na Inglaterra, [a Holt Bookshop, em Norfolk, de cerca de 230 metros quadrados], então tenho um interesse aqui. Não quero soar ingênuo: vai ser muito difícil. Se formos ver as vantagens competitivas estruturais da Amazon em relação a uma livraria convencional, é espantoso. Mas as pessoas estão dispostas a pagar um preço maior numa livraria independente sabendo que podem comprar [o mesmo livro] por menos em outro lugar. É que o consumidor tem um envolvimento emocional com a livraria, sente que a livraria está prestando um serviço público, não só comercial. Não vejo indícios de que as livrarias independentes se tornarão obsoletas.

WSJ: O sr. lê em formato eletrônico?

Makinson: Quando viajo, uso um aparelho digital, principalmente para leitura de manuscritos. Se for só para ler livros, provavelmente vou optar pelo Kindle. Mas, se quiser viajar com um aparelho que me dê acesso ao e-mail em trânsito, é possível que leve um iPad. Também leio livros em papel.


Fonte: DCI
Caderno: São Paulo / pg. C1

Instituto lança teleaula gratuita para o Enem

rafael diaspb

são paulo - O Cursinho Henfil está com inscrições abertas para adesões ao Projeto Tele Aulas Preparatórias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O Projeto oferece a prefeituras, escolas públicas e ONGs um Curso de Preparação, transmitido pela Internet, que deve ser disponibilizado para grupos.

A instituição que aderir poderá formar salas e transmitir ao vivo as aulas a alunos e interessados de sua escola e comunidade, sempre às segundas, quartas e sextas, das 14 às 18 horas, do início de agosto até os dias anteriores ao Enem, que deverá ser realizado no mês de outubro.

O único custo repassado é o da transmissão de dados (streaming), de R$ 50,00 por mês por sala de transmissão, independentemente do número de alunos. A Instituição precisa ter os equipamentos mínimos para a transmissão das aulas (computador com acesso à Internet, data-show ou TV, caixas acústicas, link de Internet exclusivo de no mínimo 512 kbps, e um computador extra se quiser participar do tira-dúvidas das aulas).

Para adesão e informações, a instituição deve entrar em contato pelo telefone (11) 4514-4184, ou pelo e-mail telesala@cursinhohenfil.org.br



Fonte: O Estado de S. Paulo

Flip estimula leitura diária entre crianças

Festa Literária Internacional de Paraty impulsiona ação educativa nas escolas municipais
16 de maio de 2011 | 0h 00
Gustavo Bonfiglioli - O Estado de S.Paulo
ESPECIAL PARA O ESTADO
ENVIADO ESPECIAL / PARATY

Paraty é famosa por sua festa literária e sua importância histórica e turística. Entre 15 mil e 20 mil pessoas visitam a cidade anualmente durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Na periferia de Paraty, de paralelepípedos comuns, a Flip chega por meio de uma ação educativa, que virou política pública em 2009, para fomento e exercício da leitura nas escolas de educação básica.

A biblioteca da escola municipal do bairro Parque da Mangueira tinha capacidade para 20 crianças há sete anos. "Tivemos de ampliar esse número. Às vezes, são 80 crianças na biblioteca, na hora do recreio. Elas preferem vir pra cá do que brincar", conta Flora França Pinto, diretora do colégio, que atende crianças do ensino fundamental 1, do 1.º ao 5.º ano. Já a escola de educação infantil Pingo de Gente, no mesmo bairro, inaugurou recentemente seu espaço de leitura.

O contato diário dos alunos da rede pública de Paraty com os livros, que têm na grade obrigatória uma hora/aula por dia dedicada à leitura, faz parte de um projeto de ação educativa para formação continuada de leitores - alunos e professores - na educação básica, que vigora há sete anos.

"A Flip transformou a cidade em uma espécie de capital literária no País. Era necessário que ela fosse um instrumento para motivar uma transformação na educação pela literatura", conta Cris Maseda, que é coordenadora da Flipinha, evento paralelo à Flip voltado às crianças.

Mobilização. Criada um ano depois da Flip, em 2004, a Flipinha foi o primeiro passo para mobilizar a comunidade local pela literatura. Isso porque, entre outras atividades, são pendurados livros em todas as árvores das praças do centro histórico. Em cada uma fica um estagiário, estudante do ensino médio da rede pública, que media a leitura de crianças e adolescentes. Também é organizado anualmente um Ciclo de Palestras da Flipinha, voltado a alunos de ensino médio que pretendem seguir magistério.

Outras duas iniciativas estruturam o projeto, desenvolvido pela prefeitura e a Casa Azul, ONG que organiza a Flip. O primeiro, Mar de Leitores, implementou em 2009 uma logística de distribuição de livros nas escolas municipais. No mesmo ano, a Secretaria de Educação adotou, na grade escolar, uma hora diária de leitura obrigatória.

Periodicamente, são organizados encontros mensais com gestores e trimestrais com professores, em que ocorrem palestras sobre pedagogia, literatura e mediação de leitura.

Atualmente, o projeto atinge as 32 escolas municipais de Paraty, envolvendo 320 educadores e cerca de 5.250 alunos.


O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA ASSOCIAÇÃO CASA AZUL



Fonte: O Estado de S. Paulo

USP abre período de transferência

16 de maio de 2011 | 0h 00
- O Estado de S.Paulo

A USP deu início ao processo de transferência para a universidade. As inscrições ficarão abertas de 30 de junho até 8 de julho. A taxa de inscrição é de R$ 100 e deve ser paga até 11 de julho. A Fuvest publica, no dia 20, o manual completo para o exame. Cada escola da USP também deve publicar seus respectivos editais de transferência, com detalhes e critérios. O exame de pré-seleção ocorre em 31 de julho. Mais informações: www.fuvest.br.



Fonte: O Estado de S. Paulo

USP vai investir R$ 70 mi em pesquisa

Um dos objetivos da universidade é aumentar sua projeção internacional
16 de maio de 2011 | 0h 00
Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo

A Universidade de São Paulo (USP) investirá R$ 70 milhões no Programa de Apoio à Pesquisa. Esta é primeira vez que uma universidade brasileira coloca uma quantia tão significativa de recursos num programa institucional de incentivo à pesquisa. A ideia da universidade é aumentar o diálogo entre pesquisadores do mesmo tema dentro da instituição e, consequentemente, projetar a USP internacionalmente na área.

Diversidade. Investimento vai para as mais diferentes áreas de pesquisa, como bioenergia, medicina e sustentabilidade
O Programa de Apoio à Pesquisa contém 43 propostas - 122 foram inscritas, com a participação de 2 mil docentes. Inicialmente, estavam previstos R$ 48 milhões. Mas, como a comissão avaliadora escolheu mais trabalhos, a reitoria decidiu elevar o valor para R$ 70 milhões, a serem investidos nos próximos dois anos.
São pesquisas das mais diversas áreas, como bioenergia, sustentabilidade, medicina, computação, neurociência, estudos internacionais, imunologia, políticas públicas e robótica, entre outras.
Para o pró-reitor de pesquisa da universidade, Marco Antonio Zago, a principal novidade é o caráter interdisciplinar dos estudos: um mesmo tema vai, obrigatoriamente, unir diversos tipos de conhecimento e diferentes unidades e câmpus da universidade. "Era isso que queríamos estimular na USP, com os pesquisadores se relacionando mais intensamente entre si", afirma. "Mas isso não desqualifica o outro tipo de pesquisa. Existem pessoas e grupos que trabalham isoladamente e têm produção de qualidade."
Para Zago, esse é um grande passo da USP rumo a uma fase de maior prosperidade científica no cenário internacional, impactando, até mesmo, na posição da instituição nos rankings.
Investimentos. A USP investe, por ano, do seu próprio orçamento, cerca de R$ 1,2 bilhão com pesquisa - sem contar as verbas provenientes das agências de fomento, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O dinheiro é investido principalmente na infraestrutura e manutenção dos ambientes de pesquisa.
"A obtenção de verbas fora da universidade é importante pelo recurso, mas também porque ajuda a disciplinar a pesquisa", diz Zago. "Mas a instituição também pode e deve fazer isso. E é o que estamos realizando: colocando recursos."
O principal diferencial desse programa, no entanto, é que a verba agora vem apenas da própria universidade, o que confere à instituição um maior controle sobre os estudos. "Não é controlar no sentido de "tomar conta", mas de indicar direções", explica Zago.
Incentivo. Para os pesquisadores contemplados com a verba, o estímulo com o novo programa é grande. Mesmo os grupos consolidados há anos enxergam na oportunidade uma forma de valorização de seus trabalhos dentro da universidade.
"A grande novidade é a USP ter entrado tão intensamente na pesquisa. Isso tem o valor simbólico, de a universidade reconhecer a nossa importância", afirma Nancy Cardia, coordenadora adjunta do Núcleo de Estudos Sobre a Violência (NEV) da USP, que existe há 22 anos.
"A universidade nos deu apoio durante todo esse tempo, mas também sempre tivemos de buscar outros recursos. Não creio que isso (essa busca) vá parar, mas, com o respaldo do programa, vamos procurar com mais tranquilidade." Segundo a professora, com a verba recebida, o NEV vai ampliar o rol de profissionais - o grupo conta com áreas como literatura, antropologia e medicina preventiva, entre outros.
A articulação entre diferentes grupos de um mesmo tema é vista com bons olhos pelos cientistas. "Isso vem do entendimento de que a própria USP deve aportar recursos em suas pesquisas", diz o professor Antonio Roque Dechen, coordenador do Núcleo de Apoio à Pesquisa de Bioenergia e Sustentabilidade. "Essa gestão compartilhada vai possibilitar ampliações que vão ao encontro das demandas da sociedade."
A ciência na universidade

R$ 350 mi é a média de investimento anual da Fapesp, uma das maiores agências de fomento do País, em pesquisas realizadas na USP
R$ 150 mi é a quantia que o CNPq, outra grande agência de fomento, coloca anualmente em estudos científicos da universidade
23% da produção científica do Brasil vem da USP
608 cursos de pós-graduação são oferecidos pela universidade
233 é o total de programas de pós



Fonte: Folha de S. Paulo

Governo estadual paulista programa série de aumentos para mestres da rede pública, primeiro passo para atrair e manter os melhores na escola


A decisão do governo paulista de conceder reajuste de 42,2% aos professores, escalonado ao longo dos próximos quatro anos, possui o mérito inequívoco de promover a valorização do magistério.

A baixa remuneração dos docentes, em São Paulo como em todo o país, é uma das grandes deficiências do sistema educacional público. Os salários defasados afastam da carreira os melhores alunos das universidades, além de servir como desestímulo aos que se aventuram na profissão.
Isoladamente, no entanto, a iniciativa paulista não basta para reverter a insuficiência das escolas públicas. A maior parte dos alunos ainda sai delas com conhecimentos não mais que rudimentares de português e matemática.
O resultado mais recente do Sistema de Avaliação de Rendimento Escola do Estado de São Paulo (Saresp 2010) reforça esse cenário preocupante. O único nível em que houve progresso significativo foi o ensino fundamental 1.
A política de aumentos dos salários dos professores vem, portanto, em boa hora. O governo Geraldo Alckmin (PSDB) promete, para as próximas semanas, o anúncio de medidas complementares. Seriam um novo plano de carreira e aperfeiçoamentos na política de gratificações por mérito instituída por seu antecessor, José Serra, também ele tucano.
A atual gestão, que em algumas áreas tem desarticulado iniciativas do ocupante anterior do Bandeirantes, já se comprometeu a manter o pagamento de bônus aos professores da rede pública. O apregoado aperfeiçoamento do mecanismo é bem-vindo.
Algo de que não se pode abrir mão é a contrapartida de requalificação dos professores. Sobretudo agora que veem atendida a reivindicação de reajuste, é obrigação dos docentes aproveitar todas as oportunidades de reciclagem profissional oferecidas pelo Estado.
A contratação de uma consultoria externa, para buscar soluções que levem os alunos da rede pública paulista a se equipararem a seus colegas de outros países, no prazo de uma década, também parece fazer parte da constatação -de resto, tardia- de que o quadro do ensino no Estado é grave.
O reajuste salarial aos cerca de 375 mil professores da ativa e aposentados terá, como é óbvio, o condão de apaziguar o sindicato da categoria, que passou os últimos anos às turras com José Serra. Essa distensão não implica ceder às reivindicações desse grupo, muitas vezes despropositadas.
A solução da difícil equação do sistema educacional passa, sem dúvida, por uma remuneração adequada dos responsáveis pela transmissão do conhecimento. Não existe bom ensino sem mestres preparados e motivados.



Fonte: Folha de S. Paulo

Queda do analfabetismo adulto é residual

Foram poucos os que aprenderam a ler entre 2000 e 2010, segundo o censo; redução foi de 0,5 ponto percentual
Crianças e jovens foram principais responsáveis pela diminuição do analfabetismo ocorrida na década passada
ANTÔNIO GOIS
DO RIO

Edna Veiga, 76, já perdeu a conta do número de cursos de alfabetização em que se matriculou antes de, finalmente, aprender a ler.
"Fiz muitos, mas nada entrava na minha cabeça. Acho que desta vez funcionou porque o professor teve mais paciência", diz ela.
O fato de Edna ter aprendido a ler depois de adulta a torna, no entanto, uma exceção nas estatísticas.
Um olhar mais cuidadoso sobre a década passada através do censo do IBGE mostra que, apesar de quase R$ 3 bilhões investidos pelo governo federal na alfabetização de adultos, uma vez completados 20 anos de idade, foram poucos os analfabetos que aprenderam a ler e escrever entre 2000 e 2010.
A erradicação do analfabetismo na década passada era meta do Plano Nacional de Educação -aprovado pelo Congresso- e promessa de campanha de Lula.
No total da população de 15 anos ou mais, a proporção de iletrados caiu de 13,6% para 9,6%. Essa redução, no entanto, ocorreu principalmente entre crianças e jovens. Entre os brasileiros que começaram a década passada entre 20 e 49 anos, os avanços foram residuais.
Uma análise da Folha nos dados do censo mostra que, em 2000, esse grupo tinha taxa de analfabetismo de 10%. Dez anos depois, portanto, com idades de 30 a 59 anos, essa geração terminou a década com uma proporção de 9,5% de analfabetos, queda de 0,5 ponto percentual.

DIREITO
Para Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a queda residual não deve levar a sociedade a desistir de alfabetizar os adultos.
"É um direito constitucional. Além disso, é um investimento que também impacta a qualidade da educação dos mais jovens, pois o pai com melhor escolaridade tem melhores condições de ajudar o filho na escola", diz Cara.
Ele aponta ainda falta de prioridade. "A alfabetização de adultos nunca foi prioritária na gestão do MEC (Ministério da Educação)."
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), demitido por Lula do cargo de ministro da Educação em 2004, também critica o MEC. Para ele, o governo errou ao mudar o programa Brasil Alfabetizado, que passou a valorizar na gestão de Fernando Haddad a parceria com secretarias de educação, em vez de convênios com ONGs.
"As prefeituras estão mais interessadas nas crianças. A gente ia atrás dos analfabetos e pagava por adulto alfabetizado. Agora, o governo espera que os analfabetos procurem os cursos."



Fonte: Folha de S. Paulo

Problema é concentrado no meio rural, diz ministro


Outra dificuldade citada é o fato de o governo não poder obrigar a população analfabeta a voltar para a escola

DO RIO

Para o ministro Fernando Haddad (Educação), a maior dificuldade na alfabetização de adultos hoje é que ela está concentrada no meio rural.
Ele argumenta que o problema não está na oferta, mas na falta de demanda por parte de uma população ocupada principalmente em atividades agrícolas.
"Se considerarmos apenas a população de 15 a 59 anos nas cidades, a taxa de analfabetismo é de cerca de 5%. No meio rural, essa proporção se aproxima de 20%."
Por essa razão, Haddad diz que o MEC está trabalhando para ruralizar cada vez mais o programa. "Há maior dificuldade de organizar turmas de alfabetização para uma população que está dispersa no campo e ocupada."
Outra dificuldade citada por ele é o fato de o poder público não poder obrigar a população analfabeta a voltar para a escola.
"Na faixa etária de zero a 17 anos, isto pode ser feito, pois a criança ou jovem estão sob o pátrio poder dos responsáveis. A partir de 18, você pode oferecer as vagas, mas não tem como obrigar a matrícula", argumenta.
Segundo Haddad, não é verdade que o programa Brasil Alfabetizado tenha sido tratado de forma não prioritária em sua gestão. De acordo com levantamento da ONG Contas Abertas, o governo gastou R$ 3 bilhões com o programa desde 2004.
"Desde o governo Lula, não houve restrição orçamentária para o programa. E nós também incluímos as matrículas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no cálculo dos repasses do Fundeb -fundo que redistribui por aluno recursos públicos para a educação-, coisa que não era feita antes."



Fonte: Folha de S. Paulo

3% dos analfabetos fora da idade escolar frequentaram uma sala de aula em 2008


HÉLIO SCHWARTSMAN
ARTICULISTA DA FOLHA

Quando se fala em analfabetismo no Brasil, é preciso antes de mais nada distinguir passado e futuro.
Enquanto a taxa de iletrados é de 13,27% entre as pessoas com mais de 30 anos, ela fica em mais modestos 3,22% para a população entre 10 e 29 anos, de acordo com os dados do Censo 2010.
Isso significa que índices de quase 10% são basicamente um problema do passado. Se o Brasil não fizer nada em favor dessa população e apenas deixar o tempo passar, o analfabetismo já cairá.
Vai levar ainda algumas décadas, porque a expectativa de vida (inclusive a dos mais pobres) tem aumentado ao longo dos últimos anos, mas essas taxas relativamente altas de iletrados têm prazo de validade para acabar.
Poderíamos, é claro, em nome da cidadania, catalisar esse processo investindo em programas de alfabetização para os adultos.
O problema aqui é principalmente a falta de interesse dos supostos interessados. Só 3% dos analfabetos fora da idade escolar frequentaram uma sala de aula em 2008, segundo a Pnad.
De algum modo, eles parecem estar sobrevivendo relativamente bem mesmo sem saber ler e escrever. Seria interessante investigar quais as causas da baixa procura pelos cursos, além, é claro, de sua ineficácia e das conhecidas dificuldades de acesso.
Para o futuro, entretanto, o que importa é olhar para as taxas de analfabetismo entre os mais jovens. E a situação neste caso não enseja comemorações.
Os 3,22% registrados na faixa entre 10 e 29 preocupam. Pior ainda quando se considera que, entre os 10 e os 14 anos, o índice sobe para 3,91%. Isso significa que a escola está ensinando a ler muito tarde e muito mal.
Não haveria, em princípio, nenhum motivo para não conseguirmos proporções inferiores a 1% nessa faixa, como ocorre em países do primeiro mundo. Em teoria, apenas crianças com algum problema neurológico grave não aprendem a ler.
Para tornar o quadro um pouco mais sombrio, vale lembrar que não estamos aqui falando de vencer o analfabetismo funcional, que implica atingir um nível de leitura e escrita adequado às necessidades do indivíduo, mas de derrotar o analfabetismo absoluto, para o que basta ser capaz de decodificar um bilhete com meia dúzia de palavras simples.




Fonte: Folha de S. Paulo
FERNANDO VELOSO

Estratégia para melhorar a educação 1


A política educacional brasileira deve assegurar um patamar básico de qualidade antes de mudar

CONFORME discuti no último artigo, uma estratégia adequada de reforma da educação deve considerar o estágio de desempenho em que o sistema educacional se encontra. Em relação aos indicadores educacionais, tem havido progresso no Brasil, mas o nível ainda é baixo.
Desde meados da década de 1990, foi praticamente universalizado o acesso ao ensino fundamental e houve um aumento expressivo das taxas de conclusão do ensino fundamental e do ensino médio. No entanto, quase 40% dos jovens com 16 anos não tinham concluído o ensino fundamental em 2009.
No que diz respeito à qualidade da educação, houve um aumento do Ideb entre 2005 e 2009, especialmente no ensino fundamental. Além disso, o Brasil foi um dos países que teve maior elevação da pontuação no Pisa entre 2000 e 2009.
No entanto, a qualidade da educação ainda é muito baixa. Segundo o movimento Todos pela Educação, apenas 34% dos alunos do quinto ano do ensino fundamental tiveram desempenho adequado em língua portuguesa em 2009. Esses percentuais também foram bastante insatisfatórios no nono ano do ensino fundamental (26%) e na terceira série do ensino médio (29%).
Na última edição do Pisa, que, em 2009, avaliou estudantes com 15 anos de idade de 65 países, o Brasil ficou no 53º lugar em leitura, 57º em matemática e 53º em ciências. Dos nossos alunos, 69% tiveram desempenho inferior ao nível básico de proficiência em matemática, em comparação a 5% em Xangai, 8% na Coreia do Sul e 51% no Chile.
Uma boa notícia é que o Brasil construiu um sofisticado sistema de avaliação da educação básica. Foram estabelecidas metas de desempenho no Ideb, redes de ensino e escolas públicas até 2021 (divulgação em 2022), e foram criadas metas intermediárias a cada dois anos, para que seja acompanhada a trajetória em direção ao cumprimento das metas de longo prazo.
Assim como em outros países com nível de aprendizagem muito baixo, um objetivo primordial da política educacional brasileira deve ser o de assegurar um patamar básico de qualidade da educação para todos os alunos. Isso envolve o cumprimento das metas de aprendizagem em língua portuguesa e matemática através de uma combinação de medidas de apoio e incentivo, em particular nos estados e municípios com pior desempenho.
Por outro lado, o nível avançado de nosso sistema de avaliação da educação básica permite que sejam adotadas aqui algumas iniciativas típicas de países em estágios superiores, como elevação do grau de autonomia e estímulo a inovações ao nível da escola, especialmente nos estados e municípios com melhor desempenho.
O desafio é combinar esses elementos em uma estratégia coerente para melhorar a educação básica de forma sustentada.

FERNANDO VELOSO , 44, é pesquisador do IBRE/FGV e escreve a cada 14 dias neste espaço.

Notícias do Dia - 13 maio 2011

Notícias do Dia - 13 maio 2011
Sumário

Bispo critica projeto que debate nas escolas o homossexualismo
Livro adotado pelo MEC defende ''erro''
Acervos pessoais ''encalham'' em livrarias da cidade
Bibliotecas públicas aceitam doações de livros usados
Mal-estar na Cultura
"Mamaço" em centro cultural reúne mães e bebês e tem até "desfile de moda"
Coragem e Superação
'A ficção tem a sua própria realidade
União move uma ação contra o Ecad

Fonte: O Estado de S. Paulo

Bispo critica projeto que debate nas escolas o homossexualismo

Para d. Mol, reitor da PUC Minas, proposta do governo é ''um privilégio e concessão aos grupos interessados''
13 de maio de 2011 | 0h 00
José Maria Mayrink - O Estado de S.Paulo
ENVIADO ESPECIAL / APARECIDA (SP)

O novo responsável pelo setor pastoral de Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Joaquim Giovane Mol Guimarães, bispo auxiliar de Belo Horizonte e reitor da PUC Minas, criticou, em entrevista ao Estado, o projeto do governo de debater homossexualidade em escolas do ensino médio.

"Lamento que a opção do governo e do MEC, nesse assunto, tenha sido pela formação fragmentada", declarou. Para ele, um projeto de formação integral dos jovens "contemplaria boas reflexões sobre o homossexualismo, a pessoa do homossexual, bem como sobre o desenvolvimento da sexualidade, compreendida como elemento intrínseco à condição humana".

Ele argumenta que "combater um preconceito exibindo vídeos de relações entre pessoas do mesmo sexo nas escolas públicas não parece adequado, pois revela uma concepção fragmentada da questão, um privilégio e concessão aos grupos interessados, uma imposição sobre crianças e adolescentes".

D. Mol também afirma que a atitude do governo "desconsidera e contraria, muito provavelmente, não só os pais dos alunos, mas também o conjunto do povo brasileiro, a quem os governantes devem servir". Ele também recomendou que o governo empreendesse "um saudável e franco diálogo com educadores de vários setores".

Diáconos. Os 2,5 mil diáconos permanentes, dos quais 95% são casados, conseguiram pouco progresso na CNBB na revisão de seus estatutos - trabalho executado ao longos dos últimos cinco anos. Ficou definido, por exemplo, que sua função é auxiliar o bispo na distribuição da caridade - coordenando obras sociais da Igreja - e não servir de acólito ao padre nas celebrações litúrgicas, como costuma ocorrer.

O diácono que ficar viúvo continua sendo proibido de se casar de novo, com uma exceção: no caso de ter filhos pequenos que precisem de cuidados maternos. A proposta de que viúvos idosos pudessem buscar uma nova companheira para ampará-lo não foi aprovada. Apenas uma meia dúzia de bispos levantou as mãos em apoio à sugestão de que as mulheres pudessem ser ordenadas diaconisas.

Pedido. Encorajados pelo cardeal d. Cláudio Hummes, prefeito emérito da Sagrada Congregação para o Clero, do Vaticano, e arcebispo emérito de São Paulo, os bispos eméritos conseguiram aprovar, em Aparecida, o pedido para que a CNBB proponha ao papa a alteração do Código de Direito Canônico para que eles, mesmo já aposentados, possam participar da Assembleia-Geral do episcopado.



Fonte: O Estado de S. Paulo

Livro adotado pelo MEC defende ''erro''

13 de maio de 2011 | 0h 00
O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA

"Nós pega o peixe" ou "os menino pega o peixe". Para os autores do livro de língua portuguesa Por uma Vida Melhor, da Coleção Viver, Aprender, adotado pelo Ministério da Educação (MEC), o uso da língua popular - ainda que com seus erros gramaticais - é válido.

A obra também lembra que, caso deixem a norma culta, os alunos podem sofrer "preconceito linguístico".

Diz um trecho do livro, publicado pela Editora Global: "Você pode estar se perguntando: "Mas eu posso falar "os livro"?" Claro que pode. Mas fique atento, porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas".

O livro foi distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos (PNLD-EJA) a 484.195 alunos de 4.236 escolas, informou o MEC.

Correto e adequado. Em nota enviada pelo ministério, a autora Heloisa Ramos diz que "o importante é chamar a atenção para o fato de que a ideia de correto e incorreto no uso da língua deve ser substituída pela ideia de uso da língua adequado e inadequado, dependendo da situação comunicativa".

"Como se aprende isso? Observando, analisando, refletindo e praticando a língua em diferentes situações de comunicação", segue a nota.

Heloisa também afirma que o livro tem como fundamento os "documentos do MEC para o ensino fundamental regular e EJA (Educação de Jovens e Adultos)" e leva em consideração as matrizes que estruturam o Exame Nacional de Certificação de Jovens e Adultos (Encceja).

A Editora Global disse ao Estado, por meio de sua assessoria de imprensa, que é a responsável pela comercialização e pela produção do livro, mas não pelo seu conteúdo.



Fonte: O Estado de S. Paulo

Acervos pessoais ''encalham'' em livrarias da cidade

Há esgotamento inclusive de espaço para guardar bibliotecas particulares de famílias paulistanas, que abrigam preciosidades
13 de maio de 2011 | 0h 00
Edison Veiga e Flávia Tavares - O Estado de S.Paulo
Quando se entra naquela livraria de obras antigas, com cheiro de páginas lidas e relidas e títulos que parecem fundamentais só pela imponência da capa de couro, pode-se ter a impressão de que se trata apenas de mais um sebo do centro de São Paulo. O que não se imagina é que naquelas estantes estão décadas de dedicação, investimentos e empenho de colecionadores e bibliófilos em encontrar as obras mais especiais. São as bibliotecas pessoais - que a Livraria Calil, descrita acima, comercializa -, que movimentam um mercado vultoso e internacional.

Raridades. Maristela, em sua livraria no centro de SP: 'Recebi ofertas da Turquia e dos Estados Unidos por algumas coleções, mas preferi não vender. Essas obras devem ficar no Brasil'
A diferença básica desta livraria para as outras é a preferência por vender bibliotecas pessoais inteiras, sem desmembrá-las - embora haja também obras avulsas nas prateleiras. Ali, estão acervos que valem de US$ 120 mil a US$ 2 milhões. Na verdade, falar em dólar está desatualizado. A compra e a venda de acervos valiosos são agora em euros.
"O mercado está globalizado. Recebi ofertas da Turquia e dos Estados Unidos por algumas coleções, mas preferi não vender. Acho que essas obras devem ficar no Brasil", explica Maristela Calil, herdeira da livraria e hoje sua administradora. Ela explica ainda o que distingue uma biblioteca pessoal de um lote: a biblioteca tem mais de mil volumes.
Entre as coleções mais significativas sob sua tutela está a do próprio pai, Líbano Calil. "Já avaliaram o acervo como o terceiro mais importante do Brasil, atrás do de José Mindlin e da família Safra", diz Maristela. São 15 mil volumes sobre assuntos brasileiros, encaixotados à espera de um comprador. Maristela já tentou vender para os governos federal, estadual e municipal. Sem sucesso. "O diretor da Biblioteca Nacional me disse que compraria se eu encontrasse um patrocinador", espanta-se Maristela. Com a coleção do pai, seriam vendidas as bibliotecas do jurista e agitador cultural Luiz Arrobas Martins, com 14 mil volumes, e do professor José Pedro Galvão de Sousa, com 7 mil. A do ex-prefeito de São Paulo, José Carlos de Figueiredo Ferraz, também está lá, mas seus familiares autorizaram que as obras fossem vendidas separadamente.
Famílias que optam por vender bibliotecas, e não doá-las, acreditam que o trabalho de uma vida inteira do bibliófilo tem valor e merece um preço. Muitas vezes, são famílias tradicionalíssimas, que, por estarem em dificuldades financeiras, preferem não falar. "Como são, em geral, pessoas conhecidas no meio social ou universitário, elas não gostam de ser identificadas para não serem mal interpretadas", afirma Eurico Brandão Júnior, do sebo Brandão. Ele afirma que chega a comprar cinco bibliotecas assim por mês - geralmente com mais de 2 mil exemplares cada. "Paguei R$ 15 mil pela última, que tinha acervo de 3 mil volumes, de História, Sociologia e Filosofia."
Também há quem prefira vender a coleção para instituições de renome, justamente para ter a garantia de que o acervo não se perderá - e ficará bem cuidado. "Minha família decidiu que venderia a biblioteca de 15 mil volumes de meu pai (o crítico literário João Alexandre Barbosa, morto em 2006) ao Instituto Moreira Salles, porque eles demonstram ter um cuidado técnico muito grande", afirma filho, o poeta Frederico Barbosa.
Novos ricos. Já os compradores variam de perfil: podem ser professores universitários, intelectuais, escritores, colecionadores de raridades - os mais fanáticos até checam sistematicamente os obituários dos jornais para ver se algum notório bibliófilo morreu e sua biblioteca entrará no circuito. E, cada vez mais, novos ricos que precisam de uma biblioteca respeitável para as recém-compradas mansões. "Já vendi uma biblioteca a um banqueiro que comprou sem nem ver os livros", lembra Maristela.
Há um esgotamento, inclusive de espaço, nas livrarias. "Para estocar um livro em São Paulo, excluindo a manutenção e a mão de obra, gastam-se mensalmente R$ 0,05 por unidade", explica Gunter Zibell, da livraria Bibliomania.
Líbano Calil passou 50 anos procurando títulos muito específicos, que compusessem um acervo especializado em assuntos brasileiros. A biblioteca está à venda há 17 anos. "Alguém pode considerar esse dinheiro empatado. Um livreiro, como eu, considera que está investido", argumenta Maristela.



Fonte: O Estado de S. Paulo

Bibliotecas públicas aceitam doações de livros usados

13 de maio de 2011 | 0h 00
Edison Veiga e Flávia Tavares - O Estado de S.Paulo

Maior e mais tradicional biblioteca pública de São Paulo, a Mário de Andrade investiu R$ 123 mil em 2010 na aquisição de novos títulos - no total dos acervos das bibliotecas, a Prefeitura investiu quase R$ 2 milhões. Mas nem tudo o que entra em seus catálogos precisa ser comprado.
Quem quer se desfazer de livros pode procurar as bibliotecas públicas para doar. As obras precisam estar em bom estado - e livres de fungos ou infestação de insetos, que poderiam contaminar toda a biblioteca. Em geral, as instituições recebem o material pessoalmente e fazem uma triagem.
Com a Mário de Andrade, entretanto, o processo é um pouco diferente. Isso "em razão de ser uma das mais procuradas", como informa a administração.
Ali, antes é preciso elaborar a listagem das obras (com título, autor, ano de publicação, edição e editora) e encaminhá-la para bmadesenvcolecoes@prefeitura.sp.gov.br. A mensagem deve ser identificada: nome, sobrenome, cidade e telefone para contato. Em dez dias, a relação é analisada e respondida pela biblioteca. Só então o material aprovado deve ser encaminhado.
Coleção. Assim que o editor e artista gráfico Massao Ohno morreu, no ano passado, sua viúva e amigos passaram a se mexer para que sua biblioteca - cerca de 600 títulos de poesia contemporânea - fosse incorporada pela Mário de Andrade. "Não queria que se transformasse em dinheiro, achava que precisava se tornar público na biblioteca que ele tanto gostava", conta a viúva, Marjorie Sonnenschein.
Outro caso de doação ilustre, um pouco mais antiga, é o da vasta biblioteca de 20 mil volumes do poeta e tradutor Haroldo de Campos, morto em 2003. "A família dele recebeu ofertas para vender para instituições estrangeiras. Mas optou para que permanecesse no Brasil", conta o poeta Frederico Barbosa. Ele se tornou "guardião" do acervo desde 2004, quando a coleção foi doada ao Estado e passou a ficar na Casa das Rosas, na Avenida Paulista.



Fonte: Folha de S. Paulo

Mal-estar na Cultura


Para conter o fogo amigo do PT, Ana de Hollanda precisa explicitar seus projetos, a começar pelo imbróglio em torno dos direitos autorais

A presidente Dilma Rousseff julgou necessário sair pessoalmente em socorro da fragilizada ministra da Cultura, Ana de Hollanda, aconselhando-a a "ficar firme". O secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, chegou a dizer que "vai quebrar a cara" quem tentar desestabilizá-la.
A contraofensiva do Planalto, dirigida como ameaça a setores do próprio PT responsáveis pela fritura da ministra, foi uma tentativa de responder ao constrangimento da véspera, em São Paulo.
Depois de ouvir uma série de críticas à sua atuação num encontro com artistas e produtores de cultura, Ana de Hollanda deixou a Assembleia Legislativa paulista cercada por agentes, evitando jornalistas. Saiu como se fosse personagem de enredo policial, ora tapando o rosto, ora agarrando-se ao braço de um assessor.
É difícil ignorar as evidências de que a ministra se mostrou até agora incapaz de explicitar sua agenda e de controlar os incêndios à sua volta. Insistir na vitimização, como tem feito, não ajuda muito.
Tampouco se desconhece que o coro por sua queda tem origem em lobbies corporativos frustrados, em parte pelo corte orçamentário que atingiu a pasta, em parte pela mudança de atitude em relação à reforma da lei de direitos autorais.
Cerca de R$ 530 milhões, num orçamento de R$ 1,86 bilhão para 2011, foram contingenciados.
O nó, porém, está nos direitos autorais. Juca Ferreira, o antecessor, enviou projeto de lei em dezembro de 2010 à Casa Civil, depois de debater a reforma em várias reuniões e submetê-la a consulta pública. A ministra anunciou que vai rever o projeto, considerado muito intervencionista, antes de enviá-lo ao Congresso.
Sua atitude foi confundida com defesa de uma legislação obsoleta (criada em 1973, reformulada em 1998), que não dá solução aos problemas surgidos com a difusão da cultura por meios digitais. Ao pé da letra, a lei criminaliza o usuário que baixa músicas ou vídeos para uso pessoal, por exemplo.
Não é tarefa simples compatibilizar o acesso à cultura com a remuneração de criadores e empresários culturais. Preservar o direito autoral, inclusive no ambiente digital, sem transformar milhões de jovens em criminosos, mas desenvolvendo mecanismos criativos de remuneração de autores na internet -tal é o desafio vocalizado por um grupo de músicos, artistas e produtores culturais que assina o manifesto "Terceira Via para o Direito Autoral". Trata-se de um esforço de superar o impasse entre o lobby da cultura digital e o regime atual.
O documento propõe que o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), órgão que goza hoje de péssima reputação entre artistas, seja submetido a um choque de transparência e eficiência, com a criação de uma agência autônoma para regular e fiscalizar suas atividades.
Eis aí um caminho a ser trilhado. Ana de Hollanda ainda precisa demonstrar força e capacidade para liderar esse processo.



Fonte: Folha de S. Paulo
FOCO

"Mamaço" em centro cultural reúne mães e bebês e tem até "desfile de moda"

GIBA BERGAMIM JR.
DE SÃO PAULO

Elas foram chegando, colocando os seios para fora da blusa e dando de mamar aos filhos pequenos no saguão do Itaú Cultural, na avenida Paulista (região central), ontem à tarde.
Eram cerca de 30 mães que se organizaram para promover o "mamaço", manifestação disseminada no Facebook depois que a antropóloga Marina Barão, 29, foi proibida de amamentar Francisco, de três meses, no centro de exposições, em março.
O manifesto ganhou força depois que a jornalista Kalu Brum, 31, teve retirada do Facebook uma foto em que aparecia amamentando, como mostrou a Folha ontem.
O ato transformou o espaço em palco de um "desfile" de slings (tecido colocado em volta do corpo que serve para carregar bebês) -havia coloridos, estampados e listrados, que acomodavam os bebês na hora de mamar.
"Amamentar não é um ato obsceno, mas natural, e temos o direito de fazer isso em qualquer lugar", disse a tradutora Laura Lopez, 32, que participou da manifestação.
O Itaú Cultural mudou de atitude após o episódio de março, considerado um erro já corrigido. Eduardo Saron, diretor da instituição, pediu desculpas a todas as mães.
"Sou pai de uma criança de oito meses. Quando o episódio veio a público, levei uma bronca da minha mulher."
Uma palestra promovida pelo Itaú ocorreu após o "mamaço", que incluiu uma apresentação teatral. "Faltam espaços voltados a mães em amamentação. O ato serve para mostrarmos isso", disse Marina Barão.
Mães atuantes em comunidades como o Matrice engrossaram o grupo. Uma delas, a publicitária Flavia Gontijo, 34, contou que ainda dá de mamar à filha mais velha, de seis anos. "Tenho como provar que ela é muito saudável por isso. Ela se recuperou rapidamente de uma virose após tomar o leite materno, que é bactericida", disse com o caçula João, 3, no colo.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o aleitamento materno exclusivamente no peito deve ocorrer até os seis meses. Depois, as mães devem amamentar por dois anos ou mais, mas junto com outros alimentos saudáveis. "O desmame deve ocorrer naturalmente, em "acordo" entre mãe e filho", diz Luciano Santiago, da SBP.



Fonte: O Estad0 de S. Paulo

Coragem e Superação

Mario Vargas Llosa comenta a saga do irlandês Roger Casement e sua luta pelos direitos humanos
13 de maio de 2011 | 6h 00
Ubiratan Brasil - O Estado de S.Paulo

Quando se preparava para o lançamento de seu mais recente romance, em outubro do ano passado, o peruano Mario Vargas Llosa foi surpreendido pela conquista do Prêmio Nobel de Literatura. Assim, O Sonho do Celta, que chega agora às livrarias brasileiras, ganhou uma aura especial. E, o que antes seria uma tradicional turnê de lançamento, transformou-se em uma carregada agenda de eventos.

Na verdade, foi uma feliz coincidência, pois O Sonho do Celta, apesar de revestido pelo gênero de ‘romance histórico’, traz em sua essência os principais preceitos humanistas do escritor peruano. O livro acompanha uma figura real, Roger Casement (1864-1916), poeta e revolucionário nacionalista irlandês que, como cônsul do Reino Unido, atuou em diversos países africanos onde, especialmente no Congo belga (à época governado pelo rei Leopoldo II), revoltou-se com o abuso dos direitos humanos contra os nativos.

Casement também trabalhou como diplomata em Santos, Pará e Rio de Janeiro, e ainda na bacia de Putumayo, no Peru, onde novamente denunciou a violência praticada por empresas de extração de borracha. Ao relatar tais irregularidades, ele passou a valorizar a liberdade e, por conta dessa crença, voltou-se contra seu próprio governo, apoiando a independência da Irlanda.

Encarcerado em um presídio de segurança máxima em Londres em 1916, depois de ter participado da Revolta da Páscoa, Casement foi acusado de traição pelo governo inglês, julgado e condenado à morte. Se cinco anos antes ele fora condecorado Cavalheiro, nos dias finais viveu abandonado e difamado.

Llosa descobriu a figura de Casement ao ler uma biografia de Joseph Conrad que, por sua vez, citava a trajetória do irlandês no Congo como fundamental para a escrita de uma de suas obras-primas, O Coração das Trevas. Fascinado pela trajetória de Casement, Llosa aprofundou-se em pesquisas que o ocuparam durante três anos até iniciar o novo romance.

O livro fala essencialmente sobre coragem e superação. Também sobre como "certas circunstâncias desumanizam os homens até transformá-los em monstros", como afirma o escritor. E, a partir das atitudes ufanistas de Casement, Llosa aproveita para também tratar dos dois lados da moeda do nacionalismo, seja a face mais terrível (a que leva ao subjugo), seja a benéfica (que incita movimentos separatistas).

Em entrevista ao Estado, realizada por e-mail, Mario Vargas Llosa trata desse assunto e da necessidade extremada que tem o homem de lutar pela liberdade. Foi apoiado nesse mote, aliás, que ele enfrentou momentos delicados, como sua recente passagem pela Feira do Livro em Buenos Aires. Como o escritor criticara o governo da presidente Cristina Kirchner, intelectuais governistas pediram o cancelamento do convite ao autor, que seria a estrela máxima do evento.

A solicitação foi mantida, Llosa marcou presença e arrancou aplausos ao afirmar que "sofremos muito por causa das verdades absolutas".



Fonte: O Estado de S. Paulo

'A ficção tem a sua própria realidade'

Ele diz que inventou muito, mas foi fiel aos fatos históricos
13 de maio de 2011 | 6h 00
Ubiratan Brasil - O Estado de S.Paulo

Na entrevista, Mario Vargas Llosa comenta sobre as raras formas de nacionalismo que considera aceitáveis.

Em todos os romances históricos que escrevi, incluindo O Sonho do Celta, busquei muita documentação que só me serviu como matéria-prima para me familiarizar com o mundo que quero inventar. Nunca me dispus a reconstruir da forma mais verídica possível o passado. Também nesse romance usei abundantemente a imaginação - não apenas para preencher os vazios como também para alterar episódios e situações a fim de tornar a narrativa mais coerente e persuasiva. Creio que o fundamental é respeitar fatos básicos da História ainda que, pesados prós e contras, provavelmente o que inventei seja muito mais importante que a memória histórica. Sou um escritor, não um historiador.

Como o senhor, que sempre detestou o fanatismo, conviveu com seu personagem Roger Casement, nacionalista fervoroso?

Sigo acreditando que o nacionalismo é uma das piores formas de fanatismo e de estupidez humana, pois promoveu um derramamento de sangue tão intenso como fizeram as religiões ao longo dos séculos. Mas, ainda que o deteste, entendo que o nacionalismo, em determinadas circunstâncias, pode ser benéfico mesmo para figuras lúcidas como Roger Casement. Na situação colonial, por exemplo, quando um país é ocupado por uma potência que explora e discrimina seus cidadãos, é compreensível que o nacionalismo e a luta pela independência sejam positivos e atraiam o idealismo e a honestidade dos melhores homens. Desgraçadamente, sabemos que, uma vez alcançada a independência, o valor se converte em desvalor, e o nacionalismo transforma-se em uma ideologia retrógrada e perigosa. Na última fase de sua vida, Roger Casement estava consciente disso, sobretudo quando advertiu sobre o caráter fanático do nacionalismo dos jovens católicos que prepararam a Revolta de 1816 e, ao tentar interceptar o levante, pagou com a própria vida.

O livro foi lançado antes da  série de revoltas contra ditaduras que vêm marcando o território africano.

Há uma larga tradição de revoltas na África contra as tiranias que, por desgraça, dominam grande parte do continente. Quase todas fracassaram por conta da anarquia provocada, pela ferocidade da repressão e, às vezes, pelo sectarismo dos dirigentes desses levantes. Mas estou convencido de que, da mesma forma que parece ter chegado a hora de liberdade para os países árabes, logo será o momento também para os desgraçados povos da África.

E o que dizer da atuação do rei belga Leopoldo II?

Ele foi o primeiro genocida do século 20, pois seus crimes são qualitativamente comparáveis aos de Hitler, Stalin e Mao Tsé-tung. Cálculos de historiadores variam muito sobre a quantidade de mortos na África provocados pelo sistema exploratório criado pelo rei dos belgas, mas seguramente foram milhões, levando-se em conta as vítimas não apenas de castigos corporais, as mutilações e as matanças mas também da fome, das pragas produzidas por colonos e pelo estado de indulgência e indefesa em que ficaram as comunidades em 1960, quando o Congo tornou-se independente. A frieza e a crueldade com que Leopoldo II criou o monstruoso sistema de exploração dos seringais é comparável aos campos de extermínio nazistas ou ao Gulag soviético.

Como não deixar um romance ficar divorciado da realidade?

A ficção tem sua própria realidade, um mundo autônomo que deve gozar de soberania para persuadir o leitor de sua verdade, deve ser uma realidade distinta da verdadeira que, no entanto, inspira-se na vivência ainda que ela mesma constitua uma ficção, ou seja, outra realidade. Isso não significa que entre essas duas realidades não existam vínculos e interdependência. Um bom romance nos retira do mundo real, transportando-nos a outro ambiente, com uma coerência, beleza e perfeição inconcebíveis no mundo em que vivemos. É por isso que a ficção nos enriquece e nos torna mais sensíveis ao confrontar o mundo real, sobretudo diante de suas carências e imperfeições. / U.B.



Fonte: O Estado de S. Paulo

União move uma ação contra o Ecad

No Pará, Clube da Marinha questiona cobrança; no Senado, CPI é protocolada
13 de maio de 2011 | 0h 00
Jotabê Medeiros - O Estado de S.Paulo

O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos (Ecad) agora também é questionado pelo governo federal na Justiça. A União Federal ajuizou no Pará, no Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, uma ação contra o órgão, questionando cobrança de direitos autorais.
Segundo o próprio escritório, a ação da União contra o órgão é parte de uma disputa de uma série de clubes do Pará contra a cobrança de direitos. O Clube da Marinha, que pertence à União, está entre eles e também entrou na Justiça para não recolher o valor que o Ecad está lhe cobrando. Segundo o Ecad, a Justiça inicialmente deu ganho de causa ao escritório, e os clubes agora estão recorrendo. A cobrança do Ecad atinge toda a estrutura da União. Recentemente, o Comando da Aeronáutica pagou R$ 83 mil em direitos autorais para executar música durante atividades em 2011.
O Ecad está no centro de um grande debate público no momento. Foi protocolado anteontem à noite no Senado Federal o pedido de abertura de uma CPI mista para investigar o escritório de direitos autorais - 28 senadores assinaram o pedido, que partiu do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). O trâmite agora fica assim: o pedido de instalação da CPI deverá ser lido em plenário e, em seguida, serão indicados 11 senadores titulares e seis suplentes para compor a comissão.
O Ecad divulgou nota sobre a CPI, dizendo que "a instituição está disponível para prestar quaisquer esclarecimentos sobre o sistema de gestão coletiva de direitos autorais", e que em CPIs e audiências públicas anteriores, "todos os esclarecimentos foram fornecidos e nada se comprovou contra a instituição, confirmando a lisura de sua atuação".
Além das fraudes recentes divulgadas pela imprensa, o senador Rodrigues pretende que a CPI investigue a revelação de que dirigentes das associações que integram o Ecad teriam se gabado de ter uma "amiga" influente no governo, capaz de fazer movimentações internas para beneficiar o escritório. Há uma suspeita de que essa "amiga" poderia ser a própria ministra da Cultura, Ana de Hollanda.
Em relação a essa suspeita, o Ecad soltou a seguinte nota: "A atual ministra da Cultura, Ana de Hollanda, é cantora, compositora e atriz, detentora de um vasto currículo na área. A ministra, tal qual o ex-ministro Gilberto Gil, mantém a relação de titular associado à gestão coletiva representada pelo Ecad. Não há relações de natureza particular ou comercial entre a instituição e a compositora".
Em tumultuado encontro com artistas em São Paulo, na terça-feira à tarde, Ana de Hollanda foi inquirida sobre o tema. Disse que o Ecad vai ter um acompanhamento do governo, mas descarta qualquer intervenção no órgão, porque considera que seria "ilegal", em contradição do que diz a Constituição Federal. "Mas algum tipo de supervisão a gente vai ter. A gente vê escândalos, esses "laranjas" que receberam, e a gente não quer mais que isso aconteça", disse.
Por conta das polêmicas envolvendo o MinC, o governo deu ordem para afinar discursos. Os secretários de Ana de Hollanda divulgaram ontem uma moção pública de apoio irrestrito à ministra - Antonio Grassi e Sérgio Mamberti assinam, entre outros. Também na quarta, em reunião da Frente Parlamentar de Cultura, a presidente da Comissão de Educação e Cultura, Fátima Bezerra (PT-RN), anunciou que fará duas audiências públicas para debater o projeto de lei que trata dos pontos de cultura e a questão dos direitos autorais, uma no dia 26 de maio e outra no dia 7 de junho. A deputada Jandira Feghali, que chegou a ser cotada para ministra da Cultura no governo Dilma, conduzirá uma das audiências.
PARA ENTENDER
Cabeças cortadas
No dia 1º de março, "Estado"
revela que MinC trocara direção de Direitos Intelectuais do MinC, colocando Márcia Barbosa, cuja atuação mostrava vínculo com o Ecad (alvo de nova Lei Autoral).
Malandragem
Em 25 de abril, "O Globo" revela que associado do Ecad recebia por trilhas de filmes conhecidos que não eram de sua autoria.
Família investigada
No dia 30 de abril, "Estado"
revela que Ecad investigava uma nova fraude, dessa vez em outra associação, a Socinpro.


quinta-feira, 12 de maio de 2011

Notícias do Dia - 12 maio 2011

Sumário

Arte S.A.
Nuno Ramos lança volume sobre sua obra no evento
Três editoras francesas processam Google
Livro conta a história do parque mais antigo de SP
Retratos dos povos Hereros de Angola


Fonte: Folha de São Paulo

Arte S.A.

Maior feira do gênero no país cresce apoiada em dinheiro captado por meio da Lei de Incentivo à Cultura

FABIO CYPRIANO
DE SÃO PAULO

O maior evento comercial das artes visuais no país, a SP Arte, abre hoje para o público com aval para captar nada menos que R$ 1,2 milhão por meio da Lei de Incentivo à Cultura. O valor é mais da metade de seu orçamento, de cerca de R$ 2 milhões.
Até o momento, a feira conseguiu captar R$ 300 mil.
Embalada pelo momento econômico positivo, a sétima edição da SP Arte cresce em número de galerias -de 82, no ano passado, para 89-, e em espaço -de 9.000 m2 para 13 mil m2.
Ela ocupa agora também o segundo andar do pavilhão da Bienal, onde foram montadas 24 instalações.
"Não acho justo que um evento que é 100% comercial tenha incentivo. A feira deveria dar ao menos uma contrapartida social", diz José do Nascimento Júnior, diretor do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), vinculado ao Ministério da Cultura.
A SP Arte, que dura quatro dias, tem o ingresso mais caro que qualquer museu público brasileiro: R$ 30.
Os próprios expositores da feira tampouco sabiam que havia lei de incentivo.
Galeristas ouvidos pela Folha se espantaram. "Essa é a feira mais cara do mundo. Mas tudo bem, eu até entendo a Fernanda [Feitosa, diretora da feira], porque hoje o Brasil é mesmo o país mais caro do mundo", diz Márcia Fortes, da Fortes Vilaça.
A maioria dos galeristas, contudo, preferiu não ser identificada, mas as palavras "incompreensível", "inacreditável" e "absurdo" estiveram na boca de vários deles.
Em média, a SP Arte cobra R$ 1.000 (US$ 620) por m2, enquanto Basel, na Suíça, a mais importante, cobra US$ 514 (R$ 830), e a Frieze, de Londres, US$ 470 (R$ 760).
"O Governo não limita que os benefícios da lei sejam concedidos apenas a projetos não comerciais. Se assim fosse, não teríamos Fórmula 1 nem São Paulo Fashion Week", diz Feitosa.

PROCULTURA
Se a nova lei de incentivo (Procultura) já estivesse valendo, no entanto, a SP Arte não teria tanto apoio.
"Pela nova lei, a feira não conseguiria 100% de patrocínio, pois a Procultura tem um sistema de pontuação de acordo com o retorno para a sociedade", diz Henilton Menezes, secretário de Fomento do MinC. Medidas para tornar a lei em vigor mais justa estão sendo feitas.
Uma delas, aprovada pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, estabelece que o cachê dos artistas não pode ultrapassar R$ 30 mil.
A partir do próximo dia 23, dez agentes do MinC passarão a acompanhar os projetos em vigor em São Paulo, Minas Gerais e Rio para fiscalizar o uso da lei.
Desde 2005, quando de sua criação, a SP Arte se utiliza da lei de incentivo.
Naquele ano foram aprovados para captação R$ 1,1 milhão, valor alcançado por meio do apoio de 20 empresas e gasto em três edições.
Em 2008, ela teve aprovados R$ 685 mil, tendo captado R$ 500 mil, e, em 2010, foram aprovados R$ 1,4 milhão e obtidos R$ 650 mil.
Como contrapartida do evento, Feitosa elenca que gera turismo para a cidade, com seus 16 mil visitantes.
O evento expõe 2.000 obras, promove debates gratuitos, disponibiliza seus catálogos para bibliotecas e possui um programa de estímulo à doação de obras de arte a museus.

PARALELA
Assim como ocorre no exterior, uma feira costuma estimular outras menores.
Em São Paulo, dois produtores organizaram uma feira em outro modelo. A Entretanto teve R$ 400 mil captados por lei de incentivo e também é aberta hoje.
"Não é um evento tão comercial como a SP Arte. O projeto inteiro é em torno dos artistas. É mais semelhante a uma exposição e é gratuita", diz Pedro Igor Alcântara, um dos organizadores.
A mostra reúne 20 artistas sem galeria, com curadoria de Luisa Duarte e Fernando Oliva, num casarão à venda (rua Groenlândia, 448). Todos os trabalhos são novos e podem ser comprados.
"Nós selecionamos os artistas, e a venda não é uma preocupação, já que algumas obras dificilmente serão vendidas, como a piscina do Henrique Cesar", diz Oliva.
"Buraco Negro", do artista citado pelo curador, é uma obra criada para o local, no caso, a piscina da mansão, que teve sua água tingida com nanquim preto.
Ao impossibilitar a visão do fundo da piscina, a obra se torna metáfora do uso da lei de incentivo em vigor


Fonte: Folha de São Paulo

Nuno Ramos lança volume sobre sua obra no evento

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

Numa obra que fez há 11 anos, Nuno Ramos espalhou móveis por covas feitas na areia de uma praia do Espírito Santo. A maré subia, engolindo cadeiras e armários.
A imagem de "naufrágio organizado", nas palavras do artista, serve de metáfora para a forma como seu trabalho é visto no mais extenso livro já feito sobre sua produção.
Esse volume de quase 600 páginas será lançado amanhã à noite, durante a sétima edição da feira SP Arte.
"É o movimento da maré, esse jogo de alteridade, disparidade e retorno, tem um motor, uma vida, uma espécie de ruína organizada", disse Ramos à Folha. "No meu caso, há mais contradições, divergências e descalabros."
Isso porque, no livro do artista que despontou nos anos 80, estão obras de toda sua carreira em ordem cronológica. A reunião das obras das últimas três décadas revela desvios da forma e oscilações de estilo e uso de materiais.
"Como eu trabalhei muito em gêneros diferentes, minhas coisas têm uma certa fratura estilística", diz o artista. "Mantendo as obras na ordem em que foram feitas, eu ressalto essa contradição."
Outro desvio, no caso, é jogar para a capa do livro uma não imagem. "Carolina" é uma obra em texto que cobre frente e verso do volume, um diálogo entre duas paredes.
"É diferente do que eu escrevo, mas há várias páginas com textos", diz Ramos, também autor de ensaios e poesias. "Quis dar a eles a mesma dignidade das imagens."
Para além das palavras e das imagens, a edição parece alcançar uma sonoridade com o texto que corre pelas bordas. É a língua, elemento central da obra de Ramos, que ganha corpo nessa montagem editorial, quase um desdobramento espacial dessa série de trabalhos falados.

SP ARTE

QUANDO hoje e amanhã (13/5), das 14h às 22h; sáb. (14/5) e dom. (15/5), das 12h às 20h
ONDE Pavilhão da Bienal (pq. Ibirapuera, portão 3)
QUANTO R$ 30



Fonte: Folha de São Paulo
LIVROS

Três editoras francesas processam Google


As três editoras francesas Gallimard, Flammarion e Albin Michel denunciaram o Google à Justiça por causa da digitalização de livros. No total, elas pedem à empresa 9,8 milhões de euros (cerca de R$ 22 milhões) pelo uso na internet das obras, cujos direitos autorais pertencem às editoras.



Fonte: O Estado de São Paulo

Livro conta a história do parque mais antigo de SP

Criado em 1798, o Jardim da Luz foi palco de acontecimentos importantes da cidade
12 de maio de 2011 | 0h 00
Edison Veiga - O Estado de S.Paulo

O mais antigo parque paulistano se chama Jardim da Luz. Foi ali que paulistanos puderam ver, pela primeira vez, em 1883, a maravilha da luz elétrica. Também ocorreu no parque a primeira quermesse da cidade, a recepção aos soldados que lutaram na Guerra do Paraguai e muitas outras saborosas histórias da São Paulo antiga. Elas estão descritas no recém-lançado livro Jardim da Luz - Um Museu A Céu Aberto (Editora Senac SP, 240 págs., R$ 60), dobradinha do arquiteto e designer Ricardo Ohtake e do historiador Carlos Dias.

DivulgaçãoCartão-postal de 1910. Transformação em passeio público só foi feita realmente em 1825
Boa parte da pesquisa do livro não foi feita agora. Entre 1998 e 2001, Ohtake foi secretário municipal do Verde e Meio Ambiente. E Dias, seu chefe de gabinete. "Logo que assumimos, decidimos vistoriar vários parques. O da Luz foi o primeiro", conta o historiador.

Bastante deteriorado à época, o local foi tratado como prioridade pela gestão de Ohtake. "Restauramos todo o espaço. Não havia mais projeto paisagístico. O parque estava desaparecido, era um matagal lá dentro", conta o ex-secretário. "Era uma pena, pois o parque é muito bonito, com influência dos jardins ingleses e filosofia baseada no romantismo."

A intenção governamental de se criar o Jardim da Luz data de 1798: um documento real ordenava a fundação de um horto botânico em São Paulo, Pernambuco e Rio. O parque nasce dois anos mais tarde. "Ele foi inaugurado como viveiro de plantas. Afinal, queriam era produzir matéria-prima mesmo", diz Dias.

Não havia preocupação de uso do espaço para o lazer da população. "Parecia um tabuleiro: eram ruazinhas intercalando os canteiros", comenta o historiador. O local já contava com um lago.

Em 1825, o parque teve a primeira reforma. E foi realmente transformado em passeio público. "Até então, as cidades brasileiras não tinham esse conceito. Pela primeira vez São Paulo ganhou local com água, árvores, estátuas, lugar de contemplação da natureza", pontua Dias.

O Jardim da Luz passou por nova remodelação na segunda metade do século 19, com a chegada da ferrovia. "Administradores começaram a se preocupar porque ali era a porta de entrada de São Paulo. Então tinha de ser uma coisa bonita." Em 25 de abril de 1870, quando os cerca de 200 soldados do batalhão dos Voluntários da Pátria retornaram da Guerra do Paraguai, foram recebidos pelas autoridades com um banquete no parque.

Acesso. Por causa da Estação da Luz, a região ganhou linhas de bonde - que serviam principalmente para que gente de toda parte da cidade tivesse como chegar à ferrovia. A primeira linha, com veículos de tração animal, foi aberta em 1872. O benefício teve um efeito colateral: o parque passou a ser muito frequentado, sobretudo nos fins de semana. Afinal, era fácil acessá-lo.

A partir daí, virou referência de entretenimento paulistano. Em 1874, ganhou torre de cinco andares - demolida em 1900 -, onde funcionou o primeiro observatório meteorológico de São Paulo. No mesmo ano, um botequim foi aberto no parque. Em 1876, ganhou iluminação: 763 combustores a gás.

Foi ali também que aconteceu a primeira quermesse da capital - organizada pela comunidade francesa em 1882. E, em outubro de 1883, a primeira exibição de luz elétrica em São Paulo - com uma multidão de curiosos que precisou pagar ingresso para ver a maravilha tecnológica.

Século 20. Na virada do século 19 para o 20, o Jardim da Luz passou por sua última grande remodelação. Ganhou minizoológico - com capivaras, veados, macacos, lobos, avestruzes e outros bichos - e passou a ter uma rua interna onde funcionava a grande atração: sob pagamento, podia-se dar a volta em um automóvel. Sua decadência coincide com a crise do café, no final dos anos 1920. "A partir de então, ele se torna apenas um espaço de passagem. Há reportagens, já na década de 30, questionando a má administração do espaço", conta o historiador.

NOME DO PARQUE

Jardim da Luz
REGIÃO CENTRAL

O Jardim da Luz tem esse nome por estar no bairro da Luz. Que foi batizado assim por razões religiosas: refere-se a Nossa Senhora da Luz. A imagem instalada no caminho do Guaré é um dos símbolos católicos mais antigos da cidade - está presente em São Paulo desde o século 17.



Fonte: O Estado de São Paulo

Retratos dos povos Hereros de Angola

Exposição integra a programação dedicada ao Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes
12 de maio de 2011 | 0h 00
Camila Molina - O Estado de S.Paulo

O Museu Afro Brasil, no Ibirapuera, inaugura hoje, às 19h30, a mostra Hereros Angola, com cerca de cem imagens realizadas pelo fotógrafo pernambucano Sérgio Guerra a partir de sua relação de 15 anos de proximidade com o país africano. As imagens, que destacam a cultura dos povos hereros, habitantes, principalmente, da região sudeste de Angola, fazem parte de série que já se transformou em livro, lançado em 2010, e outra mostra, exibida em 2009 em Luanda e Lisboa.

Sérgio Guerra/DivulgaçãoMulher da etnia africana fotografada por Guerra
A exposição de Sérgio Guerra integra a programação comemorativa do museu dedicada ao Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, declarado pela Assembleia Geral das Nações Unidas. As fotografias da mostra são uma seleção diferente dos materiais anteriores, feita com curadoria do diretor do Afro Brasil, Emanoel Araújo, centram-se nos retratos coloridos recentes que o pernambucano realizou enquanto conviveu com os integrantes da etnia, no Deserto do Namibe. Mais ainda, Hereros Angola exibe vestimentas, adereços, objetos e vídeos com depoimentos de homens, mulheres e jovens. Também há uma instalação tecnológica que projeta imagem de mulher do grupo muhakaona revelando a língua da etnia.

"Eles fazem comércio, já frequentam escolas, consomem álcool, locomovem-se entre a aceitação e a recusa de tudo isso. Desde o século passado, pelo menos, eles já mantinham contato intenso e compulsório com a sociedade moderna e com o homem branco", já afirmou o fotógrafo publicitário e produtor cultural, que, vivendo em Salvador, desenvolve desde 1998 programa de comunicação para o Governo de Angola.

Em seu livro, ainda, ficamos sabendo que os hereros são pastores polígamos e seminômades, criadores de gado, e preservam, por séculos, seus rituais. Apesar de Sérgio Guerra ter se centrado nos moradores de Angola, a etnia, atualmente, conta com cerca de 240 mil pessoas, que se dividem também por Namíbia e Botsuana.

SÉRGIO GUERRA
Museu Afro Brasil. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque do Ibirapuera, tel. 3320-8900. 10 h/ 17 h (fecha 2ª). Grátis. Até 24/7.

Prolemas no Blog - segunda parte!

Boa tarde Pessoal,

Ainda estou encontrando muitos problemas para a divulgação das notícias (diárias e semanais) no blog.

Tentarei novamente e caso não dê certo tirarei esse informativo do blog pois, este recurso está dando muita dor de cabeça.

Até mais,